Sobre o Evento
O Seminário de Pesquisa do Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro (IMS/UERJ) é uma iniciativa discente dos três departamentos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC/UERJ), realizada desde 2006. Reúne estudantes, pesquisadoras(es), técnicas(os), docentes, profissionais de saúde e ativistas que dão corpo e compõem as redes do IMS.
Ao longo de sua trajetória, o Seminário se consolidou como espaço coletivo de reflexão crítica, engajamento político e experimentação acadêmica. Mais do que divulgar pesquisas, propõe tensionar fronteiras entre universidade, serviços de saúde, movimentos sociais, territórios e corpos diversos.
A edição de 2025 nasce do incômodo. Uma reação institucional à presença de técnicas administrativas na abertura do seminário anterior fez ecoar uma série de perguntas: o que são corpos estranhos na Saúde Coletiva? Estranhos a quem? Quantos corpos estranhos produzem o nosso campo? Quais alianças, relações e circuitos sustentam essa produção?
Inspirados pela poética de Matheusa Passareli, artista estudante trans da UERJ assassinada em 2018, propomos pensar as confluências entre corpos que desviam das normas da ciência, da universidade e da saúde coletiva. Corpos que não se limitam a objetos de pesquisa mas que:vivem, resistem, cuidam, criam, pesquisam, constroem e atravessam um campo vivo.
Neste ano, os debates se organizam em quatro Coletivos Temáticos, que expressam diferentes formas de presença, enfrentamento e invenção na Saúde Coletiva.
Corpos em Alianças
Reúne corpos atravessados por múltiplos marcadores sociais, cujas experiências são inseparáveis das interseções entre raça, classe, gênero, sexualidade, deficiência, território e geração. Aqui, a interseccionalidade não é apenas uma categoria analítica, mas um modo de existir no mundo e produzir saber. O corpo estranho é corpo coletivo, encruzilhado por opressões históricas e potências emergentes Um corpo que sabe através do viver. E que, vivendo, produz saber.
Corpos Tecnológicos
Emerge no entrelaçamento entre corpos humanos, dados e algoritmos, máquinas e afetos. Os corpos estranhos são aqueles que hackeiam, que reprogramam, que fazem do campo tecnológico espaço de avanço, desenvolvimento e disputa. Pensar em saúde é também lidar com máquinas, com o digital, o artificial e criar alianças capazes de imaginar outros futuros possíveis.
Corpos nos Territórios
Articula corpos humanos e mais-que-humanos que habitam territórios feridos por contaminações, desigualdades ambientais, gentrificação e negligência institucional. São pessoas, mas também rios, florestas, animais, fungos, diferentes culturas, seja no campo ou nas cidades, nos centros, nas periferias, que geram saber, que resistem e lutam. O corpo estranho é o corpo que coexiste, e que através da interdependência carrega na própria história sinais de mudança, de colapso e de saúde.
Corpos Trabalhadores
Convoca os corpos que sustentam o SUS e a saúde coletiva, e que frequentemente são deixados à margem: corpos muitas vezes exaustos, precarizados, racializados, invisibilizados. São técnicos-administrativos, trabalhadores informais, cuidadoras, trabalhadores migrantes, profissionais de saúde que adoecem enquanto cuidam. O corpo estranho é aquele submetido à lógica da produtividade a propõe vínculos, pausas, reinvenções, que produz saúde, sente, pensa e também adoece. Entre o cuidado e o colapso, são corpos que insistem na vida.
No rastro das lutas por permanência estudantil, pelas cotas raciais e trans, da crítica ao racismo institucional e das disputas por outras formas de produção do conhecimento, este seminário convida à reflexão sobre os corpos estranhos e suas confluências. Como propõe Nêgo Bispo:
“Não é uma mistura, é uma confluência. Cada rio chega com sua força, seu leito, sua história. E é no encontro que cada um segue sendo o que é, mas cria uma terceira coisa.” (Em A terra dá, a terra quer, página 15)
Público Alvo
▪ Pós-graduandos do PPGSC do IMS/UERJ;
▪ Egressos, Pós-doutorandos e Docentes do PPGSC do IMS/UERJ;
▪ Pós-graduandos de Programas de Saúde Coletiva (e áreas afins) de outras Instituições de Ensino e Pesquisa do país;
▪ Graduandos da área da Saúde (e áreas afins) de universidades públicas e privadas do Rio de Janeiro;
▪ Trabalhadores da Gestão e dos Serviços de Saúde;
▪ Usuários do SUS, Ativistas e Movimentos Sociais;
▪ Público em geral (evento aberto e gratuito aos interessados no desenvolvimento da Saúde Coletiva e do SUS);
Cronograma
Data limite para o envio de resumos:
23 horas de 12 de setembro de 2025
Divulgação dos resultados de submissão:
a partir de 10 de outubro de 2025
Divulgação do dia e horário de apresentação dos trabalhos:
a partir de 24 de outubro de 2025
Apresentação dos trabalhos:
3 a 6 de novembro de 2025
03, 04, 05 e 06 de novembro de 2025
Instituto de Medicina Social Hésio Cordeiro
Rua São Francisco Xavier, 524, 7º andar, blocos D/E e 6º. andar, bloco E Pavilhão João Lyra Filho – Campus Negrão de Lima – Maracanã
Rio de Janeiro – RJ