Nota de pesar pelo falecimento de Ruben Araújo Mattos

Faleceu, em 25 de dezembro, no Rio de Janeiro, Ruben Araújo Mattos, professor associado e ex-diretor do Instituto de Medicina Social e colega queridíssimo.

Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 1981, tornou-se mestre em Medicina Social em 1988 e doutor em Saúde Coletiva em 2000, ambos pelo Instituto de Medicina Social da mesma universidade. Ingressou como professor do IMS/UERJ em 1985 e foi diretor no período de 2004 a 2008.

Durante seus 35 anos de magistério, Ruben se destacou como professor talentoso, dedicado, entusiasta e que promovia, junto a seus alunos, intensos debates acerca das principais questões da área de políticas de saúde. Era uma pessoa com grande carisma e capacidade de agregar ideias e ideais, com atuação fundamental na formação de estudantes de medicina da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ e de vários profissionais do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva. Ficam o seu sorriso largo, a generosidade, o bom papo, o brilhantismo e a defesa incansável do SUS.

A direção do IMS se solidariza com a família e com todos os seus amigos, alunos e ex-alunos que Ruben foi conquistando ao longo de sua vida. Sua partida deixará muitas saudades, mas, seu legado permanecerá em nossos corações e mentes.

Claudia de Souza Lopes e Rossano Cabral Lima


Recebemos muitos depoimentos de colegas do IMS e de outras unidades da UERJ, consternados com a perda do Ruben, os quais destacamos abaixo:

“Minha amizade com Ruben antecedeu nossos caminhos no IMS. Ele foi o veterano que me recebeu caloura para a matrícula na Faculdade de Medicina da UERJ em 1978. Desde então, fomos companheiros e amigos de toda vida… estivemos juntos nas duas formaturas, nos nossos casamentos, nos nascimentos dos nossos filhos, em mil momentos alegres e de festa e, também, em alguns tristes…. nos plantões no HUPE e, depois, no INAMPS na Posse…. Fui sua interna no HUPE, sua residente (de Medicina Preventiva e Social) no IMS, ele foi o professor e amigo com quem conversava minhas dúvidas e angústias no mestrado e depois no doutorado… Dividimos uma disciplina de graduação (FUNSACO) por 23 anos… Companheiro de trabalho, pesquisas … e de vida. Vai ficar um buraco e um vazio sem tamanhos… que só não serão maiores porque, como ele me ensinou recentemente, quando do falecimento de minha mãe…[…]  “a gente só perde o que nós pertence, Rose… A gente sempre pode plantar, no fundo do coração, toda a felicidade que esta flor/pessoa produziu em nós. Pode permitir brotar, permitir florescer, desabrochar a alma num sorriso que carregue toda a gratidão, todo amor… Um sorriso para ela..”. No caso, para ele, esse amigo de alma sensível e gentil e de olhar tão generoso para o mundo, que vai fazer uma falta dos diabos para tantos que conviveram e o admiraram nesse mundo.”
(Rosângela Caetano)

“Inimaginável perder assim um companheiro de IMS de quase 4 décadas: conheci Ruben como aluno de graduação, depois na Residência do IMS, aluno do mestrado e doutorado, professor e orientador extremamente dedicado, colega institucional e comprometido. Compartilhamos disciplinas por muitos anos: debate intenso e intelectualmente honesto. Mais uma perda que vai ser muito dura para superarmos.”
(Eduardo Levcovitz)

“O Ruben foi o autor do primeiro texto que li em saúde coletiva e marcou profundamente minha trajetória. Lamento muito por essa perda precoce para todos nós.”
(Felipe Assensi)

“Rubem Mattos foi meu professor, colega de doutorado e parceiro na liderança do GP LAPPIS por 7 anos e 10 anos no projeto Integralidade. Depois colega de departamento. Reconheço que conversamos, em 2000,  depois da defesa da minha tese de doutorado, em sua sala no IMS,  sobre a minha caminhada acadêmica, e daí veio a sua sugestão: segue a trilha da Integralidade. Com o projeto Integralidade nós intensificamos nosso horizonte orgânico ético político, e com isso unificamos a luta pelo direito à saúde no SUS. Posso  afirmar que a nossa relação sempre esteve pautada no respeito intelectual, embora as posições epistemológicas fossem diametralmente opostas. Divergentes. Todavia, aprendi depois (e ele também) que de certo modo, essa questão n&at ilde;o era de todo ruim, pois reconhecíamos a igualdade com distinção  de nossas produções. Como Arendt me ensinou :milagres são possíveis de acontecer. Resultado: nos reunimos  em uma das reuniões do DPPAS e decidimos oferecer um disciplina 2020.2 sobre Métodos e Metodologia em planejamento, o que não foi desprovido de tensão, no entanto nos surpreendemos com nossa capacidade  de acreditar e esperançar. Seguimos na luta, eu por aqui, e ele no melhor lugar que alguém pode estar no momento. Gratidão Ruben.”
(Roseni Pinheiro)

“Mais uma trapaça da vida neste ano que não quer acabar. Ruben se definia na sua solidariedade, dedicação e emoção a serviço de suas ideias, da instituição, de seus amigos e de sua família. Sua partida nos entristece e torna mais difícil os desafios que temos à frente.”
(Mario Dal Poz)

“Com certeza uma grande perda. Profissional que dedicou sua vida à formação de pessoas no campo da saúde e que, como ser humano, em todos os espaços de atuação, defendeu até o final a igualdade de direitos e a pluralidade de ideias”.
(Gulnar Azevedo e Silva)

“Eu sou comadre, acompanhei a difícil etapa de adoção das queridas Aline e Alice, um caso de paixão a primeira vista, e difícil batalha judicial para conseguir a guarda definitiva das meninas. O Ruben, mais do que pretenso pai à época, foi um batalhador pelas injustiças desse sistema judiciário maluco que temos no Brasil, e contra todas as expectativas, tornou-se o querido pai de duas baianas que o adoram. Muito injusta essa morte.”
(Rosely Sichieri)

“Estou abalado demais. Ruben foi uma referência para mim desde a residência lá no PS Carlos Gentille de Melo, solidário, humano, amigo, um grande coração, compromissado até a raiz do cabelo. Uma lástima.”
(Guilherme Werneck)

“Uma pessoa maravilhosa, um pai incrível, um marido exemplar… e um sanitarista que fez a diferença!”
(Claudia Leite Moraes)

“Que pena, meu amigo Ruben. Fica uma enorme saudade.”
(José Ueleres Braga)

“Que tristeza. Que sensação de impotência ver tantas pessoas boas queridas partindo neste ano. Eu e Ruben várias vezes nos encontrávamos pelos corredores do IMS quando o IMS ainda estava meio vazio. Tínhamos o hábito de chegar cedo. Muitas vezes ficávamos conversando em frente à sua sala. Boas lembranças.”
(Evandro da Silva Freire Coutinho)

“Inacreditável! Estou muito triste. Era um amigo!”
(Michael Reinchenheim)

“Estou sem acreditar. Ele foi uma das pessoas que mais li durante a graduação. Um amor de pessoa”
(Emanuele Marques)

“Muito triste! O Ruben era uma pessoa tão querida por todos e muito inteligente, o admirava muito. Sem palavras…”
(Diana Cunha)

“Apesar de pouco conhecer o Ruben, ele era uma pessoa carismática, que fazia parte do IMS. Gostava de escutar suas falas nas reuniões. Fico triste. Sentirei a falta dele.”
(Nádia Rodrigues)

“Desde o primeiro ano da faculdade, em 1976, sempre em conversas diversas, sempre em diálogo acadêmico, sempre a tranquila amizade.”
(André Rios)

“Arrasado. Entramos no mesmo ano, trabalhamos juntos na residência e acompanhei de perto sua dedicação ao IMS e ao CEPESC.”
(Sérgio Carrara)

“Fomos colegas de turma de faculdade. Cheio de planos com as filhas. Muito triste. Procuramos força.”
(Marilena Correa)

“Ruben era una pessoa muito agradável, com quem conversei inúmeras vezes em mais de 20 anos, muito triste.”
(Francisco Ortega)

“Que notícia tristíssima. Gosto/gostei muito dele. Super do bem. Ruben foi um colega de grande generosidade, companheirismo e ética. Um professor cativante. Um homem a quem a paternidade fazia brilhar com uma luz ainda mais doce.”
(Malu Heilborn)

“Uma pena, uma tristeza. Das pessoas mais delicadas da casa, muito receptivo, sempre uma voz presente. Eu sinto muito.”
(Rogério Azize)

“Ruben foi um grande colega, dedicadíssimo ao IMS, sempre gentil, carinhoso com todos. Extremamente ético em seu trabalho como professor. Vai fazer muita falta. Todo o meu carinho para a família.”
(Jane Russo)

“Pessoa gentilíssima com todos. Sempre presente com palavras certeiras. Uma grande perda, muito triste.”
(Horacio Sívori)

“Sinto muito… Ruben era sempre gentil, leve e generoso, uma inspiração para a nova geração de alunos e professores. Colega querido, que fará muita falta.”
(Laura Lowenkron)

“Razão e emoção são vistos geralmente como uma oposição, como se tivéssemos que deixar de lado qualquer sentimento para alcançar um raciocínio verdadeiramente logico. Entretanto, é impossível separar razão e emoção quando o assunto é o professor Ruben Mattos, uma das pessoas mais afetuosas que já conheci na universidade, um cara que se empolgava mesmo era nos momentos de “travar” debates sobre ideias.

Incomensurável” foi uma das palavras que mais ouvi dizer quando tive a oportunidade de me tornar seu colega no Instituto de Medicina Social, dividindo com ele algumas das inúmeras aulas que ministrou, bancas que integrou, palestras que proferiu e reuniões que participou. A dor de todos nós que tivemos a oportunidade de conhece-lo não pode ser medida , tamanha sua grandeza no lidar cotidiano com qualquer pessoa!

O que era notável mesmo, a meu ver, era essa imensa capacidade de nos reconhecer como igual em um dialogo, de nos trazer para perto com palavras gentis e contundentes ao mesmo tempo.

Agradeço muito a sorte de ter convivido com ele, ainda que por pouco tempo.”
(Martinho Silva)

“Meu orientador. Amou com toda a sua alma a UERJ. Dedicou anos da vida sendo conselheiro universitário, foi diretor do IMS. E estava em sala de aula, passou anos da vida cativando alunos e alunas, formando e transformando vidas. Eu e centenas de outros jovens da Saúde Coletiva. Um gigante! Brilhante intelectualmente, sempre aberto ao debate respeitosos, mas sempre crítico, popperiano. E sempre tão simples, discreto. A UERJ deve muito a esse homem! Eu e centenas e milhares de sanitaristas deste país também! Meu amado desorientador Ruben Mattos presente! Hoje e sempre.”
(Manuelle Matias)

Um lamento não ter mais oportunidade de conviver com um ser humano e mestre inigualável. Admirava especialmente sua integridade, coerência, gentileza e solidariedade.
(Claudia Mora)

“Ruben foi meu colega de turma, na FCM, de 1976 a 1981. Depois, nos alternamos por alguns anos como representantes titular e suplente pelo Centro Biomédico, no Conselho Universitário. Uma mente brilhante, onde a racionalidade não embotava a emoção e sua enorme empatia e amor pelas pessoas. Vai deixar saudades.”
(Egberto Gaspar Moura – IBRAG)

“Sabemos que palavras não são suficientes em um momento como esse, mas enquanto não podemos demonstrar nosso carinho e amor por meio de um abraço, escrevemos o que podemos.

Mais uma vez, a vida não facilita. Mais uma vez, ela deixa claro que não estamos no controle de nada, nem de nossas próprias vidas. ……..

Ruben foi um excelente médico, um professor exemplar e um ótimo amigo, temos certeza, porém mais do que isso, ele foi um exemplo de ser humano, de como ensinar pessoas coisas tão difíceis como lidar com o outro e como tratar diversos pontos da vida, pessoal e profissional.

Infelizmente não o teremos mais fisicamente, mas sua memória e seu legado permanecem vivos em nós. Ninguém se vai por completo enquanto pessoas lembrarem de seu afeto e carinho, seus feitos, e tudo o que sua vida representou, e ele com certeza viveu uma vida digna de ser lembrada por muito tempo. O que podemos fazer agora é honrar sua memória, dando continuidade ao que ele acreditava, e no nosso caso, sendo os melhores médicos e médicas que podemos ser, pois muito do que seremos no futuro teve influência direta ou indireta do carinho e da dedicação dele.

Mais uma vez, não podemos fazer nada que alivie instantaneamente essa dor, mas podemos fazer nosso melhor como médicos de alma, e lhe dar a certeza de que estamos, mesmo que não presencialmente, ao seu lado. Nossos sentimentos a todos os que tiveram a honra de conhecer o professor Ruben.”
(turma 25, FCM/UERJ)

“Falo em nome de todos os funcionários administrativos do Instituto. Faço aqui um pequeno relato do um momento de minha relação com ele. Tenho certeza que todos os funcionários se identificarão com seu gesto. Entrei no IMS em 1999, mas foi somente na gestão do Ruben (2004-2007) que eu me integrei completamente ao Instituto. Após um período de substituição da licença maternidade de uma colega – a Ana Silvia – no setor de publicações, acabei passando um tempo no setor e, ao final, ele me procurou para saber o que eu desejava: se continuar dividindo meinha carga horária com o setor de publicação, ou retornar ao setor de origem. E me ouviu com atenção. Aceitou meu argumento e acatou minha vontade. Conseguiu me deixar de forma permanente no setor, auxiliando nas publicações e comunicação do Instituto. Um gesto simples, mas de imenso respeito ao outro. Um gesto simples, mas de valorização do ser humano. Um gesto simples, sem intermediação de ruídos. Passei a me sentir integrado, respeitado, acolhido, parte da família IMS. Assim era ele, fosse professor doutor, doutor sem ser professor, aluno, funcionário, faxineiro ou reitor. Eram todos igualmente respeitados por ele.”
(Elir Ferrari, em nome dos funcionários administrativos do IMS).

“Nos poucos anos que pude conviver com o amigo Ruben, duas características marcantes formarão a minha memória: a honestidade intelectual e a condição intensa com que se entregava as coisas da vida. Essas são qualidades imensas! Será preciso sempre celebrar a sua companhia para a caminhada se fazer mais humanizada. Os gestos que marcaram nossos diálogos estarão sempre comigo.”
(Ronaldo Teodoro)